"O Bonsai é um breve pensamento poético que nos toca o coração.”

O bonsai é uma arte de possibilidades ilimitadas.

08 dezembro 2010

Como cuidar - Pithecellobium Tortum - Raintree Brasileiro



Família: leguminosas
Origem: Mata Atlântica - Brasil
Porte: 2 a 5 metros de altura
Floração: verão em algumas regiões.
Propagação: sementes e estacas ramos mais grossos.
Luminosidade: sol pleno
Regas: Regulares, sempre que o solo estiver seco
Solo: adapta-se bem a qualquer tipo de solo preferindo os arenosos.

O Pithecellobium Tortum é o nome científico da leguminosa conhecida fora do Brasil como Raintree brasileira. Como a maioria dos seus parentes esta árvore tem folhas compostas, madeiras muito duras e grande quantidade de espinhos que nascem aos pares logo acima das folhas.

Ambiente – O Pithecellobium na natureza tolera facilmente temperaturas acima de 30° e preferem ambiente bem iluminado onde crescem vigorosamente. Nas regiões onde há estiagem ele costuma perder todas as suas folhas, recuperando-se rapidamente tão logo a umidade retorne.

Solo - - O solo deverá ser neutro tendendo para o alcalino, rico em matéria orgânica e com boa capacidade de reter água e umidade uniforme.  O Pithecellobium Tortum vive bem em solo arenoso e argiloso. O solo deve conter matéria orgânica (casca de pinos em pedaços miúdos, matéria orgânica curtida etc.). Toda matéria orgânica usada dever ter um período de curtição superior a 180 dias para que não queime as raízes das nossas árvores e nem as envenene ao liberarem os gases tóxicos que se formam com o curtimento e que é prejudicial à planta. Para compor o substrato, pode-se utilizar a seguinte combinação: 30% de areia 2 a 3 mm ou pedrisco +20% de cacos miúdos de cerâmica 3 a 5mm + 50% de matéria orgânica - casca de pinos calcinada 2 a 3 mm é um ótimo material (para facilitar a drenagem) evite usar cascas de tamanhos maiores. OBS: aqueça toda a mistura a 180° por 20 minutos para eliminar parasitas e seus possíveis ovos. Todo material deverá estar seco e ser peneirado antes de ser usado, para retirada de partículas minúsculas e pó. Essa mistura é para cidades de clima quente. Caso você more em locais mais frios use uma mistura com menos matéria orgânica e mais areias.

 Rega - A rega deverá ser moderada. Evite o excesso de umidade que pode danificar as raízes da árvore. Durante o verão tome cuidado para não deixar o solo secar de mais, pois poderá causar danos a folhagem. O Pithecellobium perderá as folhas se o solo ficar permanentemente seco. O solo deverá manter um bom teor de umidade. Caso a terra seque totalmente pode além de danificar as folhas, causar a perda das flores. Se você tiver dúvida sobre o grau certo de umidade a manter, deixe o solo secar levemente entre uma rega e outra.

Adubação: A adubação poderá ser feita em um programa semanal regular. Existem adubos de ação lenta como Osmocote que poderá ser usado. Uma mistura orgânica que produz resultado excelente é: Torta de Algodão ou Mamona 50% + Farinha de osso 50% colocada na borda do vaso a cada trinta dias na proporção de uma colher de sopa rasa para vasos com 20 a 22 cm de comprimento (vasos menores ou maiores deverão receber quantidade proporcional ao seu tamanho). ( coloque a mistura em um potinho perfurado e enterrado para que a mistura não se espalhe e com o tempo torne o substrato do vaso compactado - retire o potinho com a mistura a cada 2 meses).  Outro modo é fazer uma rega semanal ou uma pulverização semanal usando para isso a mistura feita com 2 colheres de sopa rasa de uréia dissolvida em 10 Litros de água. Regue ou pulverize a uréia sempre ao entardecer, pois ela se evapora com a luz. Use adubo contendo micros nutrientes S, B, Cu, Mn e Zn pelo menos uma vez ao ano. De preferência aos adubos foliares.
Lembre-se: Nunca adube uma planta doente ou recém transplantada, nem sobre o sol forte; faça-o de preferência nas primeiras horas do dia ou nas últimas horas da tarde. Faça uma rega pelo menos uma hora antes de efetuar cada adubação mesmo que ela seja foliar. Em épocas muito quentes não se deve adubar, assim também como em épocas de frio intenso. Desenvolva o seu próprio calendário de adubação de acordo com as suas observações.

Poda - Ao cortar os ramos e galhos não corte muito próximo das gemas que você deseja que brotem, pois é comum que uma pequena parte do ramo cortado morra. Estes pedaços poderão ser retirados mais tarde, numa poda de refinamento. O importante é deixar definido os tronco principal e suas sucursais, o resto é modelado nas podas futuras. O Pithecellobium se recupera muito rápido de podas, mesmo que severas e brota facilmente em madeira velha.
 Desfolha: faça a desfolha no início de janeiro cortando as folhas pelo pecíolo com uma tesoura afiada. Suspenda a adubação nitrogenada um mês antes da poda e reduza as regas até que toda a brotação amadureça.  Este método quando aplicado corretamente reduz o tamanho das folhas em até 10 vezes.
OBS: NUNCA DESFOLHE UMA ÁRVORE DOENTE OU FRACA para que não corra o risco de perdê-la.

Transplante: - A cada dois ou três anos nas árvores mais velhas e todos os anos no caso de exemplares mais jovens. Faça o desembaraço das raízes com um gancho diminuindo o torrão e corte as raízes que tiveram um grande desenvolvimento depois pode 1/3 das que restarem. Lembre-se que desejamos o desenvolvimento das raízes capilares (finas como cabelos).  Use uma nova mistura de solo - já descrita à cima. O crescente ambiente de areia no Brasil demonstra o quão bem O  Pithecellobium  tolera condições de seca, no entanto, ele prefere ter o solo do recipiente uniformemente úmido. Ao plantá-la em um vaso verifique se há orifícios suficiente para que toda a água saia de forma rápida drenando. Na sua região de origem o solo é arenoso extremamente poroso. O Pithecellobium suporta podas mais drásticas de raízes bastando para isso abrigá-lo do sol forte no primeiro mês.

Aramagem – Segundo meu amigo Marcelo Martins considerado o Pai do Pithecellobium e Reconhecido internacionalmente por seus belos trabalhos. O Pithecellobium não suporta a muito bem a Aramagem coisa que também constatei, por isso tenho usado a técnica de tensão para orientação juntamente com a poda.

Iluminação: Apesar de crescer em pleno sol na natureza e próximo as áreas litorâneas Brasileiras. Quando cultivados como bonsai parecem apreciar alguma sombra durante os dias mais quentes dos verões tropicais.

Estilos - Em seu habitat natural o Pithecellobium Tortum, como o próprio nome diz cresce torto, para os lados, por quanto é chamado de jacaré na sua região de origem, isso se dá devido à ação constante dos ventos, porém fora do seu habitat a árvore crescerá em linha reta. Sendo assim porta-se a maioria dos estilos utilizados tanto na vertical como na horizontal, e a todos os tamanhos desde os gigantes como também dando belos exemplares em Mame e shohin.

Pragas e doenças: Não há nenhuma praga ou doença especifica.

Dicas
O melhor método de se propagar o Pithecellobium é a alporquia já que ele tem facilidade de enraizar em madeiras velhas.
Use luvas quando for manusear um Pithecellobium para se proteger dos seus espinhos

- Se tiver dúvidas de como aplicar os métodos a cima busque a orientação de bonsaístas experientes.
Faça um curso. Existem excelentes bonsaístas que ministram cursos de alta qualidade. Não veja isso como um gasto, mas como um investimento para o futuro.  Você mudará a sua maneira de ver o Bonsai.
Usar as técnicas aprendidas de maneira correta lhe dará confiança e os resultados obtidos em suas árvores lhe darão enorme satisfação evitando perdas de tempo e enormes prejuízos financeiros. Este é o meu conselho. 

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